terça-feira, outubro 03, 2006

Saudade Dada

Em horas inda louras, linda
Clorindas e Belindas, brandas
Brincam no tempo das berlindas
As vindas vendo das varandas.
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas

Mas em torno á tarde se entorna
A atordoar o ar que arde,
Que a eterna tarde já não torna!
E em tom de atoarda todo o alarde,
Do adornado ardor transtorna,
No ar de torpôr da tarda tarde.

E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Nos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos
Prantos de intentos, lentos tantos
Que encantam os attentos ventos

Fernando Pessoa

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