DE TARDE
Naquele "pic-nic" de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que sem Ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima de uns penhascos,
Nós acampamos, inda o sol se via,
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, tudo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda,
O ramalhete rubro de papoulas!
Cesário Verde
quinta-feira, janeiro 18, 2007
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1 comentário:
as papoilas morrem quando são colhidas...
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