São 4 da manhã, um post sobre as quartas feiras
Cheguei agora a casa depois de uns anos de uma velha amiga minha, neste momento ouço o Tributo a Suba e lembrei-me carnivoramente das quartas de manhã de há uns anos atrás.
Chamo-lhe N porque era demasiado privado chamar outro nome qualquer, assim é mesmo N.
Namoramos algum tempo, ano repleto de emoções, umas maiores que outras, mas um ano que jamais me esquecerei, principalmente das quartas de manhã.
Todas as semanas, fizesse chuva, sol, vento, ou o mais formidável dia de Primavera, todas as quartas, esperava ansiosamente pelo toque da campainha da rua a avisar a chegada da N.
Todas as quartas a mesma sina.
Acordar de manhã cedo, tomar banho á pressa, arrumar a casa, acender a lareira e esperar por ela.
Na altura tinha cão aqui no Porto. Um pequeno “Poodle preto” encontrado anos antes por acaso aqui na rua.
Todas as quartas a leva-a á rua antes que a N chega-se, para depois estar com ela.
Tomava o pequeno almoço, bebia café, e no passeio da cadela fumava um espectante cigarro antes que ela toca-se á campainha.
Todas as quartas a mesma rotina.
Quando tocava, o meu coração parecia querer saltar da boca para fora.
Entrava, cumprimentavamo-nos com beijo e depois entregavamo-nos a nós. Apenas a nós num único ser.
Alegoria da Natureza, prazer carnívoro de estarmos num quarto, apenas os dois, com musica de circunstância, num calo inquientante, caloroso, agradável.
Estávamos os dois.
Fumávamos cigarros na varanda para voltarmos os dois para o mesmo.
Todas as quartas eram especiais, diferentes, com ela.
Até uma quarta de manhã que encontro os pais de uma amiga por acaso de partida para Lx. A partir dessas quartas mais nenhuma foi diferente.
A N foi apanhada de surpresa e as quartas nunca mais foram diferentes.
Hoje, volvidos 4 anos depois do desaparecimento, amargo, inesperado, chocante, da unica pessoa que fez falta na festa da minha velha amiga onde estive, relembro com nostalgia o tempo que passei.
Hoje, com pesar que me lembro da quarta que recebi em choque a noticia da morte de uma grande amiga, que me custa acreditar ainda hoje que tenha desaparecido num acidente de mota, amiga que me marcou, e marcará para sempre, na minha formação e na maneira como viveu a vida. A 1000, todos os dias de forma diferente e sempre a aproveitar o melhor.
Hoje não quero fazer nenhuma homenagem, mas apenas dizer.
ML, sinto a tua falta onde quer que estejas.
sábado, março 03, 2007
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