sábado, abril 21, 2007


São 4 da manhã...não sei porquê apeteceu-me escrever...
Estou neste exacto momento a ouvir uma musica marcante, que memarca cada VEZ QUE VOU A Sintra...pois...estou em vésperas de ir...
Porto Sentido do Rui Veloso.

Sim, já fiz o meu yoga, já relaxei, mas o pensamento, esse, por mais que queira, independentemente de ser correspondido ou não, esse continua numa pessoa.

Um simples ser humano que me conquistou apenas com um olhar, com uma maneira de ser, uma maneira de estar na vida.

Essa pessoa, cada dia que passa vai enchendo este pobre coração com uma coisa que se chama paixão, ou algo do género.

Adoro o sorriso, a maneira mordaz como vai dizendo chalaças sobre nada de especial, a maneira como morde o lábio cada vez que quer dizer alguma coisa mais atrevida.

Adoro a maneira como pega no copo, ou apenas como acende um simples cigarro. O olhar atrevido e o movimento dos lábios. A maneira como "ajeita" o vestido. A sua forma de caminhar.

Esse ser humano que veio ao mundo e que neste momento cada vez mais me conquista.

Pela Astúcia, pela personalidade vincada que se vai mostrando á medida que a vou conhecendo.

Será eu me estou a apaixonar?

Talvez.

Resposta incerta.

Neste momento, aquilo que me vem á cabeça é o cheiro do cabelo, as suas maneiras e teimas.

Neste momento estou a ouvir algo que me prepara para zarpar do Porto e procurar nova paragem.

Neste momento aquilo que não quero é que o meu coração fique saltitando por algum amor, ou paixão ou qualquer conceito que seja implicito neste contexto, por algo que me seja impossível de alcansar, como é o caso desta mulher.

Apetecia-me dizer-lhe aquilo que me está na cabeça, apetecia-me apenas ficar a olhar para ela, fitando-a como se fossemos adolescentes em inicio de vida.

Mas não...

Dizer que a adoro não chega.

Dizer que neste momento me sinto completamente rendido aos seus encantos. Não.

Há um epsódio no Love Acctually que diz tudo

"In this moment, that's enough."

"I'm love with her, but tha't´s enough."


Neste momento, em vésperas de trocar o prazer de estar com os meus pais vou ter o privilégio de estar com outro ser humano brilhante que sempre me disse algo, amiga, confidente, eterna mulher que adoro, a 300 km de uma cidade viciante como o Porto. Quero um ombro para chorar, para me confessar, apenas porque me tornei melga.

Apenas porque de repente dou por mim numa situação completamente nova, madura.

Gostar duma pessoa maduramente. Nunca pensei.

Por isso quero e preciso de alguém com quem conversar sobre.

Por isso tenho que fazer 600 km, para estar um par de horas na capital e esquer-me do Porto. Nem que seja por breves instantes. Mas quero estar sozinho na viagem, ouvir o meu fado, desflorar a A1 num mero autocarro da Renex. Mas quero estar com ela. comigo. ouvir-me.

Fuga?

Não.

Apenas estou a usar a teoria dos 50.

Preciso de me afastar do Porto para estar com ela. Aquela pessoa em quem eu posso chorar e pedir um ombro amigo para dar apoio.





O primeiro Beijo


Recebi o teu bilhete

Para ir ter ao jardim

A tua caixa de segredos

Queres abri-la para mim~

E tu não vais fraquejar

Ninguém vai saber de nada

Juro não me vou gabar

A minha boca é sagrada

De estar mesmo atrás de ti

Ver-te da minha carteira

Sei de cor o teu cabelo

Sei o champôo a que cheira

Já não como já não durmo

E eu caia se te minto

Haverá gente informada

Se é amor tudo o que sinto

Quero o meu primeiro beijo

Não quero ficar impune

E dizer-te cara a cara

Muito mais é o que nos une

Que aquilo que nos separa

Promete lá outro encontro

Foi tão fugaz que nem deu

Para ver como era o fogo

Que a tua boca prometeu

Pensava que a tua língua

Sabia à flor do jasmim

Sabe a chicla de mentol

E eu gosto dela assim

Quero o meu primeiro beijo

Não quero ficar impune

E dizer-te cara a cara

Muito mais é o que nos une

Que aquilo que nos separa


Porto Sentido


Quem vem e atravessa o rio

junto à serra do Pilar

vê um velho casario

que se estende ate ao mar


Quem te vê ao vir da ponte

és cascata, são-joanina

dirigida sobre um monte

no meio da neblina.


Por ruelas e calçadas

da Ribeira até à Foz

por pedras sujas e gastas

e lampiões tristes e sós.


E esse teu ar grave e sério

dum rosto e cantaria

que nos oculta o mistério

dessa luz bela e sombria


[refrão]


Ver-te assim abandonada

nesse timbre pardacento

nesse teu jeito fechado

de quem mói um sentimento


E é sempre a primeira vez

em cada regresso a casa

rever-te nessa altivez

de milhafre ferido na asa


Carlos T

1 comentário:

un dress disse...

sentes.

o quê?

aflição.

inquietude.

vestígios.



...



sentes.

por mim

ensurdeço.

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