domingo, maio 06, 2007


É assim que te quero,

Amor,

Assim, amor, é que eu gosto de ti,

Tal como te vestes

e como arranjas

Os cabelos e como a tua boca sorri,

Ágil como a água da fonte sobre as pedras puras,

É assim que te quero, amada,

Ao pão não peço que me ensine,

Mas antes que não me falte

Em cada dia que passa.

Da luz nada sei, nem donde vem nem para onde vai,

Apenas quero que a luz alumie,

E também não peço à noite explicações,

Espero-a e envolve-me,

E assim tu pão e luze sombra és.

Chegastes à minha vida com o que trazias,

Feita de luz e pão e sombra, eu te esperava,

E é assim que preciso de ti,

Assim que te amo,

E os que amanhã quiserem ouvir

O que não lhes direi, que o leiam aqui

E retrocedam hoje porque é cedo, para tais argumentos.

Amanhã dar-lhes-emos apenas

uma folha da árvore do nosso amor, uma folha

que há-de cair sobre a terra

como se a tivessem produzido os nosso lábios,

como um beijo caído

das nossas alturas invencíveis

para mostrar o fogo e a ternura

de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda
Ps: a imagem é repetida, mas neste contexto é a mais adequada

1 comentário:

un dress disse...

"siamética-osmose.

de: sempre te segurar no fio triste...
deserta de visibilidade.

de: no alto dos meus olhos de folha rever incrédula...
a tua-existência-minha."

...

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