segunda-feira, maio 21, 2007


Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,ou se preferes,
a minha boca nos teus olhos,
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve,
e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens,
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

Eugénio de Andrade in «As Palavras Interditas»

1 comentário:

un dress disse...

...


cantanto docemente

o chão humedecido

do teu

peito


...

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