
Este poema retrata bem o meu estado de espirito,
resume muita coisa que me passa pela cabeça quando me lembro de ti,
sem nenhuma asiduidade, sem nenhuma hora marcada, apenas quando me lembro do traço do teu olhar e da maneira como sorris.
Nao sei se isto e amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi versos romanticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cantico dos Canticos.
Se é amar-te, nao sei.
Nao sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu nao demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu nao sei se é amor.
Sera talvez começo...
Eu nao sei que mudanca a minha alma pressente...
Amor nao sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
Camilo Pessanha, Clepsydra e poemas dispersos
4 comentários:
E ele a dar-lhe!
Que ei de comentar?
Camilo pessanha para um estado de espirito é perigoso, mas nunca me canso de ler, principalmente quando vai de encontro a alguém que pelos vistos é especial.
Lindo Lindo Lindo...
W tens uma sorte.
Este Sinclair é mesmo unico e pelo que se vê não vai ficar por aqui.
bjinhos
Fantástico.
Camilo Pessanha sem duvida reina pela transparência de sentimentos e emoções.
És um querido sabias?
És unico Sinclair.
Passeei-me pelo teu blogue e adorei o que vi.
Constou-me que no post 500 o nostalgices acaba.
Não queres adiar para o 1000?
Um beijo enorme e parabens!
Só mesmo tu para fazeres vaguear pela poesia portuguesa.
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