quinta-feira, maio 10, 2007

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.


Sophia de Mello Breyner

1 comentário:

un dress disse...

tudo nas árvores acontece em grande solidão.


embora às vezes cresça outra árvore por perto...

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