quinta-feira, maio 17, 2007


Pessoa
Sossega, coração!

Não desesperes!

Talvez um dia, para além dos dias,

Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,

Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!

Pobre esperença a de existir somente!

Como quem passa a mão pelo cabelo

E em si mesmo se sente diferente,

Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo!

Dorme!

O sossego não quer razão nem causa.

Quer só a noite plácida e enorme,

A grande, universal, solente pausa

Antes que tudo em tudo se transforme.


Fernando Pessoa, 2-8-1933.

4 comentários:

Anónimo disse...

identifico-me com este poema.
O coração.
Palavra proibida

Anónimo disse...

eis tu!
Tão somente tu.
Nesse vale de paixão
Uma névoa tão perto do coração.

un dress disse...

o sossego quer...colo...?

Anónimo disse...

Também estava a precisar desse sossego...

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