segunda-feira, maio 21, 2007

Se medito no gozo que promette
A sua bocca fresca e pequenina
E o seio mergulhado em renda fina,
Sob a curva ligeira do corpete,
Desejo, nun's transportes de gigante,
Estreital-a de rijo entre os meus braços,
Até quasi esmagar n'estes abraços
A sua carne branca e palpitante;
Como, d'Asia nos bosques tropicaes,
Apertam em spiral auri-luzente,
Os muscullos herculeos da serpente
Aos troncos das palmeiras collossaes...
E como ao depois, quando o cansaço
A sepultura na morna lethargia,
Dormitando repousa todo o dia
À sombra da palmeira o corpo lasso;
Eu quizera tambem, adormecido,
Dos phantasmas da febre ver o mar,
Mas sempre sob o azul do seu olhar,
Envolto no calor do seu vestido;
Como os ébrios chineses delirantes
Aspiram, já dormindo, o fumo quieto
Que o seu longo cachimbo predilecto
No ambiente aspalhava pouco antes...


Camilo Pessanha in Clepsydra

4 comentários:

Anónimo disse...

Sinclair:
Desde à muito te conheço
Desde muito tempo sei o que te passa
Desde á muito tempo te encontro e te vejo,
Desde á muito tempo que nunca te senti tão presente
Desde á muito tempo que não recebia um brilho nos teus olhos como esse que carregas,
Desde á muito tempo que te admiro, como homem, como ser humano.

Assim te peço:
Naquilo que vez e que diariamente olhas,
Pega e escreve.
Pelo Nilo.

Anónimo disse...

Parabens.
Post numero 1000 por favor!!!!

Anónimo disse...

O nostalgices vai acabar?
1000 Por favor!!!!
Estas poesias, ou poemas sem rima, sendo ou não dedicados a uma W ou á Y de David Mourão Ferreira, tem que continuar.

Anónimo disse...

1000

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