quinta-feira, maio 24, 2007


Sem dizer o fogo –

vou para ele.

Sem enunciar as pedras, sei que as piso –

duramente, são pedras e não são ervas.

O vento é fresco:

sei que é vento,

mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento.

Tudo o que sei, já lá está, mas não estão os meus passos nem os meus braços.

Por isso caminho,

caminho porque há um intervalo entre tudo e eu,

e nesse intervalo caminho e descubro o meu caminho.

Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também:

então invento os meus passos e o meu próprio caminho.

E com as palavras de vento e de pedras,

invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras.

Caminho um caminho de palavras

(porque me deram o sol)

e por esse caminho me ligo ao sole pelo sol me ligo a mim

E porque a noite não tem limites

alargo o dia e faço-me dia

e faço-me sol porque o sol existe

Mas a noite existe

e a palavra sabe-o.


António Ramos Rosa

4 comentários:

Anónimo disse...

Um poema com e sem sentido,
Com e sem sentimento.

Anónimo disse...

Sentimento Sentido

Algo que se esconde e não se vê

Anónimo disse...

Antonio Ramos Rosa

E o Sinclair sempre a surpreender.

Para quando um poema teu?

un dress disse...

ainda bem que a noite existe.

grávida de palavras...

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