
Sem dizer o fogo –
vou para ele.
Sem enunciar as pedras, sei que as piso –
duramente, são pedras e não são ervas.
O vento é fresco:
sei que é vento,
mas sabe-me a fresco ao mesmo tempo que a vento.
Tudo o que sei, já lá está, mas não estão os meus passos nem os meus braços.
Por isso caminho,
caminho porque há um intervalo entre tudo e eu,
e nesse intervalo caminho e descubro o meu caminho.
Mas entre mim e os meus passos há um intervalo também:
então invento os meus passos e o meu próprio caminho.
E com as palavras de vento e de pedras,
invento o vento e as pedras, caminho um caminho de palavras.
Caminho um caminho de palavras
(porque me deram o sol)
e por esse caminho me ligo ao sole pelo sol me ligo a mim
E porque a noite não tem limites
alargo o dia e faço-me dia
e faço-me sol porque o sol existe
Mas a noite existe
e a palavra sabe-o.
António Ramos Rosa
4 comentários:
Um poema com e sem sentido,
Com e sem sentimento.
Sentimento Sentido
Algo que se esconde e não se vê
Antonio Ramos Rosa
E o Sinclair sempre a surpreender.
Para quando um poema teu?
ainda bem que a noite existe.
grávida de palavras...
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